15 de mar. de 2010

devagar e sempre na nóia


agora mesmo, tô em classe e deveria estar prestando atenção ao professor de tecnologia (photoshop).
ele tem boa intenção e nos quer formar fotógrafos que se destaquem no "temido mercado de trabalho". quer que sejamos os melhores. não sei bem por qual razão, mas deve ser porque esse é seu trabalho e é assim que ele ganha a vida.
e eu, sentada em frente ao computador supostamente pra seguir os passos que ele vai dizendo, que faço se não almejo ser melhor que ninguém? às vezes, tranquilamente, assumo meu papel de boa aluna , faço os exercícios, aproveito pra conhecer e se possível aprender o que depois decidirei se vou usar ou descartar.
mas tem dias que não dá pra sustentar essa responsabilidade de conhecer e aprender coisas que a princípio não despertam interesse. Nesses momentos, entro numa nóia profunda e minha mandíbula fica tensa querendo gritar socorro. Na tentativa de um desabafo instantâneo, às vezes, cochicho com o colega do lado ou lhe peço ajuda pra acabar o exercício, já que me encontro completamente perdida.
agora mesmo, tô numa dessas crises e achei melhor recusar-me a aprender a usar um novo programa para fazer imagens panorâmicas e fugir virtualmente para esse espaço onde posso contar sem medo, minhas vontades e pensamentos a respeito da fotografia. para não parecer preconceituosa, pois admito que já fui, deixo claro que não recrimino nenhuma técnica, nem acho nenhuma melhor que outra. só necessito dizer pra mim mesma quais são aquelas que tenho escolhido pra mim:

não quero a perfeição.
quero o desenfoque, o ruído, o preto e o branco estourado.
nao quero a última tecnologia. ela corre num rítimo muito mais acelerado que eu, que vou devagar e sempre.
quero uma câmera pequena, fácil de levar, no aniversário do meu irmão, nas bodas da minha avó ou pra comprar pão na esquina.
não quero o conhecido, o planejado.
quero o inesperado, o susto, o que tá fresco ainda.
não quero conformar-me com padrões.
quero continuar na nóia pra descobrir todo dia, minha própria forma de ver e viver a vida.

Um comentário:

Andrea Lorca disse...

é isso ai neguinha!
:D
adoro!