15 de mar. de 2010
Los Dolores del Mundo
Hoje o post vai em homenagem ao nome do meu blog porque hoje vivencio a Morte. A passagem da Vida terrestre para à forma mais pura e bonita do que realmente somos, uma energia.
Vovó Elisa faleceu hoje, depois de uma vida inteira repleta de amor, realizações e saúde, que lhe faltou agora no final da vida. Morreu em casa, graças a deus na presença de seus três filhos e marido. Acredito que foi em paz. Inesperado mas em paz.
Ela sempre foi muito moderna para a época em que vivia. E acredito que foi por essa razão que meu avô, German Lorca, se apaixonou por ela. Professora e pintora, minha avó foi criada no interior, e aos 18 anos largou a família e veio para São Paulo, contra a vontade do pai dela, morar em um convento de freiras para poder lecionar em uma escola, seguindo assim sua vocação. Essa era a história que ela mais me contava ultimamente, acho que como uma manifestação da sua saudade pelos tempos já vividos quando era moça ainda. Vovô e vovó se conheceram em uma casa de dança que sempre iam, se encontravam e dançavam juntos. Namoraram, noivaram e casaram em 10 meses. E tanto ela quanto ele sempre me contaram essa história com um certo brilho no olhar que me faz acreditar que o amor eterno pode mesmo ser possível.
Ultimamente minha família sofreu várias perdas. Minha vózinha amada, Judith, que se foi no meio do ano e meu tio Heckel que faleceu agora em janeiro. O clima é pesado mas a situação, faz parte da vida. E nessa questão parece que estamos ficando cada vez mais acostumados. Essa é a sensação que tenho, pelo menos de mim. Quando soube da notícia não consegui chorar. Por um momento fiquei estática, preocupada em acalmar minha mãe. Vovó já tinha tido um câncer de pulmão ano passado e estava se recuperando agora. Tava boa, em casa, já bem esquecida da memória, mas tranquila, tocando o resto da vida. E é muito estranho pensar como um idoso convive com o fato certo da morte e mesmo assim continua vivendo o resto dos seus dias. Eu acho muito triste, mas sei que é uma coisa que só um velhinho deve saber como é.
Quando vi meu avô, chorei. Só hoje percebi o quanto ele gostava dela. 63 anos juntos. E ele chorava a sua perda como um namorando apaixonado que já não tem mais o seu amor.
Agora fica esse vazio. E o tempo vai preenchendo isso com saudades.
Sou feliz por tê-la conhecido, e a amo por tudo o que ela é e por toda a família que por graça constituiu.
Rest in Peace grandma.
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2 comentários:
Ah! a vida, o amor....
Os enígmas...
O vazio da morte é substituído pela memória e o amor.
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